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Empreender vira o 2º maior sonho do brasileiro e mobiliza 42,5 milhões de pessoas

17/07/2026
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Ter o próprio negócio deixou de ser apenas uma alternativa de renda e se firmou como um projeto de vida no Brasil. Em 2025, o empreendedorismo foi o sonho que mais cresceu entre todos os pesquisados pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM), superando desejos tradicionalmente ligados à estabilidade e ao consumo, como viajar, comprar um carro ou seguir carreira no setor público.

Pela primeira vez em treze anos de levantamento, “ter o próprio negócio” foi o item que mais avançou no ranking de aspirações do brasileiro. O desejo saltou de 34% para 40% da população adulta em apenas um ano, alta de seis pontos percentuais, a maior entre os onze sonhos analisados. Com isso, o empreendedorismo retornou à segunda posição entre os principais sonhos do país, atrás apenas da casa própria, e passou a mobilizar 42,5 milhões de pessoas.

Da sobrevivência ao projeto de vida

Os dados sugerem uma transformação no perfil do empreendedorismo nacional. Em 2017, apenas 18% da população citava ter o próprio negócio entre os principais sonhos, num período de forte recessão em que muitos empreendiam pressionados pela falta de emprego. Em 2020, durante a pandemia, o índice disparou para 59%, em meio à instabilidade econômica e à necessidade de gerar renda de imediato.

O cenário de 2025 é outro. Com o mercado de trabalho mais aquecido, muda também a motivação de quem decide empreender. A parcela de brasileiros que abrem um negócio porque “os empregos são escassos” caiu para 71%, o menor patamar de toda a série histórica. Ao mesmo tempo, ganharam força motivações como construção de patrimônio, independência financeira e continuidade familiar.

Quem é o novo empreendedor

O empreendedorismo brasileiro segue concentrado nas faixas de renda média e baixa: entre os novos empreendedores, 74% têm ensino médio ou escolaridade menor, e mais da metade vive com até três salários mínimos. Chama atenção o avanço dos empreendedores acima dos 45 anos, que hoje respondem por 33,7% de quem iniciou negócios recentemente, a maior participação já registrada pela pesquisa.

O movimento indica a entrada crescente de profissionais mais experientes, muitos migrando do mercado formal em busca de autonomia e novos projetos. A participação feminina, porém, recuou: as mulheres representam 39,5% dos empreendedores iniciais, o menor percentual desde 2003, sinal de que o avanço ainda não é uniforme entre homens e mulheres.

Ambiente melhora, mas gargalos persistem

Apesar do cenário mais favorável, os entraves seguem conhecidos: dificuldade de acesso ao crédito para empresas em estágio inicial, custos e burocracia para entrar no mercado, acesso limitado a tecnologia de ponta e fragilidade da educação empreendedora no ensino fundamental e médio.

Esses fatores ajudam a explicar por que, mesmo com o desejo de empreender em alta, a taxa total de empreendedorismo recuou de 33,4% para 31,6% em 2025. Na prática, o país ainda produz mais vontade de empreender do que condições concretas para transformar esse desejo em empresas sustentáveis.


Fonte: Com informações de Agência Sebrae